AS RELAÇÕES QUE VOCÊ CULTIVA

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08/08

por Kalina Juzwiak

O que é mais importante?

Sua família, seus amigos, seu trabalho, seus projetos, sua evolução, a sua casa? As possibilidades são inúmeras. O que significa para você ter coisas? Ter conexões? Ter relações?

Como são estas conexões e relações? Elas somam, te fazem bem, são aquilo que você sente precisar naquele momento? Ou são apenas aquelas pessoas que já fazem parte da sua vida, e não necessariamente somam algo neste ponto no espaço tempo que está vivendo? Você realmente se sente parte das relações? Ou elas são apenas um conforto – um ombro – ou corpo – amigo quando você precisa?

Sim, as relações humanas são complexas. Ou podem ser complexas. Ou também não.

Quando um amigo te liga e te convida para tomar um drink, dançar, jantar ou apenas estar, o que você sente? Você vai porquê ele pediu? Você vai porquê realmente quer estar?

“O que é de fato mais importante para mim?” Estou curiosa, você já se fez esta pergunta? Pois eu já – e recentemente mais e mais. Tenho me questionado diariamente se estas relações precisam realmente ser.

Quando nova, por muito tempo – e em muitas situações – ia em encontros e eventos, apenas porquê “precisava ir”. “Preciso estar presente, preciso mostrar que estou presente” – eu pensava. Me arrumava, mesmo sem vontade. Ia, mesmo sem vontade. E ali passava mais uma noite, quase que observando a vida em um “slow motion” – pessoas rindo, bebendo – e eu, com aquela sensação que não deveria estar ali.

Hoje sei que, para mim, as coisas mudaram. Fui percebendo (a mim mesma a às situações). Preciso mesmo fazer as coisas – por precisar? Ou tenho uma escolha?

Chega um momento na nossa jornada que precisamos aceitar e escutar a nossa própria natureza. Porquê ir a um lugar, ou ver uma pessoa, se na verdade você não tem vontade? Você gostaria de sair com outra pessoa. Ou gostaria de passar um tempo sozinho. Não precisamos nada, e chega um ponto na vida (assim espero para todos), que escutamos esta voz dentro de nós. Ela nos mostra – quase instantaneamente – o que precisamos fazer. Precisamos apenas estar abertos para escutar e agir. Precisamos apenas fazer aquilo que nosso coração manda. O que sentimos. O que precisamos naquele momento. Sem desvios, sem desculpas, sem histórias para mascarar a real vontade – de talvez apenas não querer ir a algum lugar – ou encontro. A nossa intuição não mente e é impossível enganá-la.

De um tempo para cá tenho prestado atenção nas relações que cultivo. Por quê elas são importantes para mim – da forma que são? A qual parte de mim elas somam? Confesso, não é um exercício fácil, mas ele é possível.

Comecei com os pequenos gestos do cotidiano. Um café, um encontro casual, uma reunião ou bate papo. Se alguém me chama, me pergunto se realmente é aquilo que quero – ou se na verdade gostaria de fazer outra coisa durante aquele tempo – naquele contexto. Se eu chamo alguém – porquê estou de fato chamando aquela pessoa para fazer algo? Estar consciente da percepção, da sensação, do porquê realmente agimos da forma que agimos. É preciso prática, mas é possível. É preciso abertura para nós mesmos. A cada dia um pequeno exercício, antes de responder sim – ou não –  a alguém, pare um momento e sinta, pense, e observe como seu corpo reage. Sem medo da resposta, sem medo de estar sozinho no final da noite – na sua própria comapnhia. Aos poucos você vai ganhando confiança tanto na percepção como na ação. Você vai ganhando confiança em você mesmo –  e consequentemente nas suas relações.

Como falei, comecei pequeno, e a cada dia fui – e vou – ganhando um pouco de confiança na sensação e na decisão. E, recentemente, em uma viagem de um mês para o exterior percebi, ao mudar de perspectiva, quem são realmente as pessoas que estão presentes. Que são presentes, que somam, que tenho vontade de dividir as coisas. Que tenho vontade de compartilhar, de aprender, de somar. Ao mudar de perspectiva percebemos realmente quem são aquelas pessoas que fazem nosso coração palpitar. Por uma amizade – ou por um amor. Por uma troca – ou por um compromisso. O porquê não importa realmente. O que importa é – o que é importante para você? E muito mais do que o que – quem?

Quem realmente é importante para você? E para que?

Na minha viagem percebi também que os níveis de conexão são diferentes. Existem aquelas pessoas que são incríveis para um encontro casual, para um drink, um café, um bate papo informal sobre a vida em geral. E tudo bem. Existem aquelas pessoas que, em pouco tempo, você entra num papo profundo, sobre comportamento, sobre conexões, sobre universo e suas energias – sobre coisas que jamais imaginaria conversar – às vezes até com um estranho. E tudo bem. Existem aqueles que simplesmente nos fazem rir – tanto – que a barriga começa a doer. Que gostoso isso. Existem aqueles que fazem o nosso coração palpitar acelerado, que nos deixam sem palavras – que deixam aquele silêncio gostoso – aquele que alimenta a nossa alma, com um olhar, um toque, um sorriso. Um momento quase mágico. Existem aqueles que são ótimos conselheiros – ou aqueles que gostamos de aconselhar – uma troca, profissional ou pessoal, aquele encontro que sempre tiramos algo novo, que aprendemos, que ensinamos. Um aprendizado constante, até mesmo em um encontro informal. Existem aqueles que podemos contar, com tudo e para tudo. Basta ligar. Basta chamar. As pessoas se movimentam por e para você. E vice-versa. Que lindo poder contar com pessoas. Existem famílias, amigos, relacionamentos – do passado, presente e futuro – conexões formais e informais. Conexões de olhares. Conexões de coração. Conexões de alma.

Estou percebendo e absorvendo todos estes níveis. Não sinto necessidade de ranquear as pessoas. Ninguém é mais importante que ninguém. E sim, são diferentes. Me causam sensações diferentes. Me fazem sentir e pensar diferente. E tudo bem. O importante é estar presente em cada um deles – os encontros – sejam físicos ou não – e receber e dar aquilo que podemos – naquele momento. É sobre ser verdadeiro. Com nós mesmos e com os outros. O nosso coração tem a capacidade sim de reconhecer estes níveis, e simplesmente cuidar e amar de cada relação, da forma que alimenta a nossa alma –  a dos outros também. Isto sim é uma troca verdadeira.

Quem são as pessoas que realmente são importantes na sua vida?

E para quê?

Não é sobre inícios e términos de relações e sim sobre uma mudança na forma que pensamos, agimos e sentimos. Podemos criar a nossa realidade, o nosso entorno, escolher as nossas companhias.

O que você acha disso?

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