CONECTANDO CAPACIDADES

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28/06

por Kalina Juzwiak

Sou daquelas pessoas que será eternamente curiosa.

Por o que?

Pela vida e por tudo que ela tem a oferecer.

Por isso não tenho foco? Por isso sou daquelas que faz muita coisa, mas não faz nada direito?

 

Acho que todos nós já ouvimos algo assim nas nossas vidas não é? Que precisamos ter foco em alguma disciplina, em algum assunto, no objetivo de vida. Para toda vida e sempre. Ouvimos isso ao sair da escola, ouvimos isso ao escolher uma faculdade, ao nos relacionarmos com alguém, ao ter um hobby, ao ler livros, ao discutir assuntos.

“Temos” que ser assim? “Temos” que escolher – sempre na vida – uma coisa só?

Não necessariamente. Não somos seres feitos apenas de uma matéria. Passou-se o tempo da revolução industrial e das produções em série, que éramos condicionados a um movimento único dentro de uma cadeia complexa de produção.

[ quem lembra da cena de “modern times” do Charles Chaplin? ]

Cada dia mais, somos – e podemos ser – valorizados pelas nossas habilidades e capacidades. Cada um de nós é um ser único que desenvolve estas características ao longo da vida. Ao percebermos isso, podemos também nos abrir à oportunidade de nos capacitarmos em diferentes frentes e ferramentas. Podemos estender um pouco mais as nossas áreas de conhecimento, a gama de possibilidades – e assim fazer conexões únicas – que pessoas que focam apenas em um assunto, dificilmente fariam. As conexões que você faz são diferentes das que eu faço, por toda experiência – totalmente individual – que carregamos. Apenas cada um de nós sabe como juntar cada elemento. Como criar algo único dentro das áreas de interesse que temos.

Se estes assuntos variam entre direito e pintura, entre TI e música, entre fotografia e matemática, pode ficar a dúvida: “Legal, o que uma coisa tem a ver com a outra? Como consigo focar em tudo que gosto?” A verdade é que não precisamos escolher uma coisa só. Ao invés de focar em um caminho, por quê não compreender o tema que permeia todas estas áreas de interesse? O que realmente te movimenta? É aquele momento de olhar para dentro, de escutar, avaliar, testas e compreender – que você é o fio condutor. Você é a conexão única entre todas as suas áreas de interesse, de habilidades e capacidades. E por isso este reconhecimento e esta aplicação te torna ainda mais único. De dentro para fora – e não de fora para dentro quando as pessoas dizem que você não tem foco. Você tem sim foco, basta conectar as pontas – sejam elas mais organizadas ou mais soltas. Amarrar as pontas, faz parte do auto conhecimento de entender o que te movimenta de verdade e o que pode sempre ser o fio condutor de uma pessoa plural que reconhece o por quê faz o que faz.

E como isso se aplica à mim, por exemplo?

Como disse no início, sou daquelas que será eternamente curiosa – por tantos assuntos diversos – desde à arte em suas tantas manifestações, aos estudos de comportamento, à psicologia, ao funcionamento do corpo e da mente, das composições e reações, da física que move o planeta, dos seres que habitam as diferentes superfícies. Posso fazer uma longa lista das minhas áreas de interesse. Mas como uso isso a meu favor, ao invés de deixar me atrapalhar?

Olhei para dentro – e ainda olho. Para mim o que permeia todas as áreas de interesse é a criatividade. E através das conexões que ela pode fazer, somadas às minhas experiências, criei uma identidade – para mim e para o meu negócio. Com o tempo desenvolvi conhecimento de softwares, de técnicas, de áreas e disciplinas, e assim me torno quase que “auto-suficiente” quando o negócio é viver e vender a minha arte. Entendi que poderia transformar as minhas áreas de interesse em reais projetos, apresentações e conquistas – sem realmente empacar em certas fases de projetos, por não saber fazer aquilo que tenho vontade – ou que visualizo. Posso sempre somar com pessoas que tem outros conhecimentos, mas também acredito no desenvolvimento  e evolução própria, somando entre as minhas áreas de interesse.

Vou dar um exemplo real.

Hoje vivo da minha arte. E neste exato momento estou fora do Brasil, tendo a oportunidade de fazer uma exposição no exterior. Ao criar esta exposição, conectei pontos, conectei idéias e ideais. Olhei mais um pouco para dentro. Que mensagem quero passar? O que estou vivendo neste exato momento? Para criar a série escolhi ferramentas que me eram familiares e ao mesmo tempo novas para este tipo de trabalho. Escolhi criar um pacote que girasse em torno de um tema único, mas com diferentes abordagens e perspectivas. Sobre papéis criei as artes propriamente ditas, mas ela se estende a fios costurados nos papéis e na parede – e um vídeo que funciona como resumo e conector de todas as partes. Construi um story telling, desde o processo, à experiência. Para isso tive que estudar, e adquirir novos conhecimentos. Como fazer um video sozinha? Algo que também passasse essa mensagem. Como montar uma expo sozinha? Eu e a arte – a arte e eu. Foi um processo de compreensão e aceitação total das minhas habilidades. Criei algo de uma qualidade sem igual? Não, longe disso, mas para mim funcionou como algo único, como algo especial. Que me mostrou que existe sim um tema que permeia a minha eterna curiosidade e minhas áreas de interesse. Que une capacidades estudadas e desenvolvidas nos últimos anos. Que une capacidades que se desenrolam e evoluem a cada dia.

A criatividade que funcionou como ponto conector entre o criar da exposição, o criar de um conceito, das ferramentas, dos softwares, do olhar, da narrativa e da apresentação como um todo. O fio condutor de todas as minhas áreas de interesse. O fio condutor do que me move!

[ compartilho o vídeo que faz parte da minha exposição, para você compreender que a minha arte pode se estender muito além de um produto ou serviço, sobre uma parede, uma tela, um papel. A arte, para mim, é a experiência de conectar todos estes pontos, e ser curiosa o suficiente para fazer isto de uma forma única – ou inesperada – para mim e para os outros ]

vídeo da expo

Conheça meu trabalho:

kaju.ink

@bykaju

@artistakalinajuzwiak