Conheça o paraíso perdido, Cuba!

17/06

O que pensar de Cuba? Não é raro ouvir de amigos um comentário desinteressado sobre esse país insular e polêmico, situado ao norte do Caribe. A verdade é que você pode passar muito tempo lendo sobre Cuba, mas nada nunca vai se comparar a uma visita in loco, claro, de cabeça e coração abertos.


Ah… O Caribe!

Para começar essa matéria eu coloquei, quase no último volume, a trilha que embalou minha viagem do começo ao fim – Baby Lores & El Chacal – em 2008, quando fui pela primeira vez para Cuba, os caras imperavam invictos como o espelho da nova cena musical cubana depois dos amados tios do Buena Vista Social Club.


Me gusta el reggeaton!
 
O ritmo está por todos os lados e, não raro, você verá pessoas dançando na rua ou algum cubano mais animado tira as damas turistas para dançar em praça pública. A salsa, o merengue e o moderninho reggeaton firmam o compasso que cadencia essa experiência totalmente sensorial.

Respire fundo, sinta o aroma das especiarias, mescladas à maresia e ao odor másculo dos charutos. Cuba exala sensualidade, principalmente em sua capital La Habbana, quase uma cidade cenográfica com todas as características dos tempos de ouro, os anos 1950. É nostálgico e bonito caminhar pelo Malecón avistando os carros antigos costearem o mar pela grande avenida.


Vista do Malecón

Nessa caminhada não se empolgue com suas refeições, a não ser que você esteja alojado em um grande resort e tem ao seu dispor os tradicionais – e sempre iguais – buffets. Em Cuba vale mais se empolgar com os drinks do que com a gastronomia tradicional, que nada mais é do que um bom prato de arroz, feijão e porco. Em compensação o melhor Mojito – aprovado por Ernest Hemingway – está logo ali, na tradicionalíssima La Bodeguita del Medio.


La Bodeguita del Medio – O melhor Mojito do Mundo

Como um bom brasileiro, você deve estar se perguntando sobre as compras. Esquece! Não quero desanimar ninguém, até mesmo porque hoje vejo a importância de viver na viagem do que comprar. Os melhores investimentos que você faz são: licores, rum, charutos e souvenires. Ok, toda saga tem um Plano B. Caso você voe com a Copa, pode ser que faça uma escala no Panamá. Aí, sim, o cartão de crédito trabalha bastante diante de um dos melhores Duty Free do mundo.

Juliana Goes | Viagem
Se liga no teco teco! 

Além de toda a riqueza cultural que se encontra em Havana, existe muita riqueza natural, harmonicamente espalhada pelos cayos e ilhotas cubanas. Varadero é o balneário mais tradicional do país, uma espécie de Cancun que já deu o que tinha que dar. Muito turista, baladas, gorjetas e pouca natureza intocada. Já em Cayo Largo, Cayo Coco e Cayo Guilhermo é possível se sentir no paraíso, em praias virgens que ainda não sofreram intervenção do homem. É fascinante estar numa praia onde só tem você, o mar cristalino em tons de turquesa que você não verá em lugar nenhum, e um pouco distante é possível conseguir uma água de coco e um Mojito, claro, em um quiosque de palha totalmente rústico.


Cayo Guilhermo – Foto Vina Rodrigues

Toda essa experiência se deu em 2008, ano em que o irmão de Fidel Castro, Raul Castro assumiu o poder do país. Socialista desde o golpe de 1959, Cuba oferece a seu povo um pouco mais do que os estrangeiros imaginam. Digo isso após dezenas de conversas interessantíssimas com os locais, sendo eles garçons, arrumadeiras, guias. Basicamente todo cubano tem educação, saúde, moradia e emprego; todos providos pelo governo. Pasmem, pois lá as taxas de analfabetismo e desemprego são ínfimas. Quanto a isso, dificilmente os cubanos se queixam, mas ao ver lágrimas nos olhos de um médico formado – Cuba tem uma das melhores universidades de medicina do mundo – enquanto ele dizia ter recebido um convite para sair do país e não pode levar sua família; ele foi meu garçom em Varadero por algumas noites. Nessas horas você sente o que é ter tudo, menos liberdade. Não gosto de falar de política, não sou comunista, apenas estou contanto do que vi e vivi.


Havana – Foto Vina Rodrigues

Como sempre quando viajo, fiz questão de me infiltrar, fui à casa de cubanos, fiz refeições em restaurantes locais, saí para dançar nos pueblos de vilarejos, bem longe do clima globalizado dos resorts. Numa dessas, fui ao show de Baby Lores & El Chacal, numa casa de shows tradicional de Havana, chamada Sarao, lá sentei na mesma mesa que os netos de Fidel. São essas experiências que tornam sua viagem única. Com certeza ter um amigo em seu destino ajuda! Mas vale muito pesquisar alternativas fora do mainstream. Viajar, para mim, é se dar a chance de conhecer outra realidade e, para isso, você precisa mergulhar na cultura. Ir onde os locais vão, comer o que eles comem, ver o destino a partir da perspectiva com que eles veem.


Ciudad Vieja – La Habbana

Em geral, os cubanos são doces, simpáticos e muito acolhedores. Para eles uma gorjeta de U$1 vale tanto, que você recebe um sorriso de orelha a orelha. Minhas recomendações são poucas, se for a Cuba, se entregue, viva como se fosse o último dia, pois lá a emoção está a flor da pele e a todo momento você sente essa intensidade. Claro, brinde a vida, tome um Mojito e veja o sol se por. Dance até o sol nascer e curta muito esse paraíso quase perdido.

Uma das melhores viagens da minha vida!