MOUNT RINJANI | Escalando um VULCÃO

14/01

Afinal como é escalar um vulcão? Como é a experiência de chegar ao limite e ainda assim seguir em frente? Nesse vídeo eu te conto sobre essa grande aventura, cheia de aprendizados, mais um sonho realizado! Vem comigo e com a CaliCultural em mais uma Dica de Viagem, direto da Indonesia!

O Mount Rinjani é famoso na Ásia, vulcão em atividade constante, segundo mais alto da Indonésia, atrai turistas de todo o mundo. O ponto de partida é em Lombok, ilha próxima a Bali, existem mil e uma agência por lá que fazem pacotes de trekking, variam entre 2 a 4 dias. Escolhemos o mais longo e apesar de ser bem puxado e cansativo, é um pouco mais confortável do que fazer me menos tempo. Em menos tempo você anda mais ainda por dia, nem consigo imaginar como isso é possível.

Começamos dia 26/12, 2 horas de carro até um dos pontos de subida até o início da trilha no vilarejo de Sembalum. A gente sabia que seriam 7 horas de caminhada. Mas a Juliana percebe (na prática) que caminhada nas palavras do povo de montanha é apenas apelido. Já na subida eu me perguntava que raios tava fazendo ali rsrs, exigia muito do corpo, muitas vezes do corpo todo, como escalada mesmo. Era lindo ver as pessoas, cada um do seu jeito, com seus objetivos. Até que vi um cara com um bebê nas costas, ele e a esposa. E eu lá me sentindo uma principiante de tudo, percebi que não sabia mais nada da vida rsrs eles lá ‘de boas’ subindo e eu com as pernas bambas. Resolvi ir no meu passo, o guia era muito rápido e os dinamarqueses tem pernas longas e mais resistência. Aí melhorou, respeitei meu tempo e respeitei a importância do guia ir rápido também, se não a gente não chega. É tudo cronometrado no tempo da natureza e a gente adapta como pode. 8 horas depois, entre pausas para descansar e comer, chegamos ao Base Camp 1 e foi uma das vistas e por do sol mais lindos da minha vida inteira, parece um tapinha nas costas de beleza da natureza, dizendo, meu filho que bom que você chegou, eu estava aqui te esperando. As barracas já estavam feitas, assim como minhas náuseas também estavam prontas, efeitos colaterais de esforço extremo e altitude. Serviram o jantar e não consegui comer, deixei minha comida dentro da barraca e umas horas depois consegui me alimentar, era necessário ter nutrientes e energias para encarar a subida ao topo do vulcão.

Dia 2 | As 2h30 da manhã acordamos para começar a subida para o cume, expectativa de 4h de subida em níveis que oscilavam entre médio e difícil. Difícil, leia-se: alta inclinação em solo de areia e pedras = um passo para cima e dois para baixo. Tipo você pisa e escorrega, igual andar em duna. Eventualmente você leva uns capotes, mas na subida até que vai. O dia foi raiando, lindo! Mas fôlego, pernas e cabeça já estavam avariados rsrs. Já tinham se passado 5h de subida e nada de achar a reta final do cume, uma subida de 45 graus em areia e pedras, famosa por transformar os trekkers em desistentes. Pois bem, chegando perto da reta final, a fase em que o que tava difícil consegue piorar, a gente começou a ver pessoas dando a meia volta. O que parecia ser o cume tava totalmente encoberto por nuvens, sendo que já no base camp 1 a gente tava muito além das nuvens, era um tipo de neblina lá no topo. Nessa hora a gente pensou em voltar, tava duro, não tinha visibilidade e víamos muita gente voltando. Sabe-se lá qual força intrauterina aparece nessas horas (sério), eu no meu melhor estado de exaustão disse vamos, pra cima, pra baixo não é agora e lá fomos no auge da estafa, músculos fadigados ao extremo. O fôlego era muito muito melhor do que no Deserto do Atacama, onde escalei meu primeiro vulcão, mas o nível de dificuldade do Rinjani é maior em todos os sentidos. Fomos e 6h depois chegamos e foi lindo lindo lindo!!! Vale o suor, as lágrimas, os xingamentos internos, os músculos gritando. É uma comunhão com o divino, é uma resolução de todo seu sofrimento, é uma grande benção chegar lá! É se sentir pleno, completo, vivo!

Pra descer todo santo ajuda?! Olha, se ajuda eu não sei, mas eu levei alguns capotes, descemos em 4h (eu, vulgo, tartaruga ninja só que lenta), muitos descem em 2h30, mas meus joelhos pedem delicadeza da minha parte e os músculos então, nem se fala. Aí o mais legal desse dia era saber que tínhamos que descer para o lago, onde íamos dormir a segunda noite. A gente perguntou pro guia se dava pra mudar os planos, se tinha um caminho mais fácil. Nada feito, tá na chuva meu bem, vai molhar mesmo. Lá fomos, nem sei como, mas fomos descendo pedras e barrancos, 5h de caminhada até o lago da cratera do vulcão.

Dia 3 | Dormimos até mais tarde esse dia, saímos para subir para a borda da cratera as 8h da manhã e lá chegamos 16h. Absurdo ver como é possível ir tão longe, mesmo já desmilinguida, exausta, mancando. Cada caminhada é muito meditativa, pelo menos pra mim foi, vários insights, diálogos internos – alguns não tão amigáveis – mas acima de tudo muita reflexão.

Dia 4 | uhuuu dia de ir ‘pra casa’, tomar banho de verdade, sentar em cadeiras, dormir em camas. Foi uma jornada quase infinita, 9km de descida, mas fizemos em ótimo tempo, algo como 4h para nosso nível mais lentos de ser. Mais 2h de carro até a agência, charrete até o porto, barco até a ilha e lá fomos para Gili T, um lugar um tanto diferente, roots, cheio de jovens festeiros e pessoas vibes e tal rsrs.

Moral da historia, eu sofri, xinguei, falei que nunca mais ia fazer isso de novo e desci mancando, joelho inchado, unha do pé preta, bolhas, mas fazendo planos para o próximo, oh vida!

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Te digo que a gente nunca sabe quão longe pode ir até ir de fato. E mesmo chegando a algum lugar além das suas expectativas é sempre possível ir além, isso eu aprendi com a montanha. Aprendi que chega uma hora em que seu corpo arrega, aí é sua mente que vai te levar até o topo, o mesmo é na vida. Não adianta muito ter tudo, ter coisas, ter um corpo, se sua mente e seu espírito não estiverem centrados e presentes, nada faz sentido sem esse equilíbrio, sem o foco.

Como foi para você acompanhar essa aventura? Gratidão por poder levar vocês comigo nessa! Que venham os próximos vídeos e as próximas emoções!

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Beijos com amor,

Ju