Minha carreira de modelo | Perrengues em Miami

23/03

Recentemente eu comentei que fui modelo comercial e muitas de vocês pediram para eu falar mais sobre essa minha experiência. Então, neste vídeo eu contei para vocês os perrengues da minha carreira de modelo. Vem ver!

Sim! Eu trabalhava como modelo comercial e fiz inúmeras campanhas publicitárias, dentre comerciais para TV, catálogos de fotos e outros similares, já morei fora do país a trabalho e já me meti em algumas furadas também. E vamos direto ao ponto, começando pela pior delas!

Miami, lá vou eu!

Em primeiro lugar, a maior das enrascadas do ponto de vista moral, aconteceu quando eu tinha 18 ou 19 anos. Eu já trabalhava para o mercado audiovisual, com campanhas publicitárias. Naquela época, estava em alta também o mercado de eventos com a participação presencial das modelos, e uma amiga trabalhava para esse mercado.

Essa amiga me falou que na agência onde ela trabalhava estavam precisando de uma modelo com meu perfil, para um evento de carros esportivos em Miami. A proposta era para um cachê bem interessante para ficar três dias por lá com outras modelos brasileiras e eu, louca por viagem, aceitei. Mesmo sem conhecer bem a agência e sem estar por dentro daquele mercado eu fiz os testes e fui aprovada.

Super animada, fiz as malas para ir pra Miami e ao chegar, me surpreendi. Primeiramente, porque não tinham outras modelos brasileiras e depois, porque me dei conta que ao fazer o checkin estava no mesmo quarto que um homem. Era o presidente de uma multinacional de carros! Em contato com a agência eles só me enrolavam e com o desenrolar da história eu percebi que fui colocada ali como uma acompanhante.

Como aquela não foi uma escolha minha, eu me senti super mal. Fiquei com medo, me senti culpada por ter me metido naquilo e frustrada com a situação. Eu chorava muito. Em nenhum momento eu fui violada ou forçada a nada, mas hoje, penso em todas as mulheres já presenciaram situações ainda piores…

Alívio…

No dia seguinte minha mãe conseguiu o contato de um amigo e sua mãe, que moravam em Miami, e eu, sem dinheiro e sem apoio da agência, praticamente fugi daquele hotel e fiquei os dias restantes na cada destes amigos. Certamente, sempre há anjos nos nossos caminhos e eu agradeço imensamente a estes por terem me acolhido num momento de vulnerabilidade e me tratado como filha.

Por fim, eu voltei para o Brasil, não recebi quase nada do cachê e ficou um dos maiores aprendizados da minha carreira de modelo.

Apenas 30%

Outro perrengue aconteceu naquela mesma agência onde eu trabalhava quando fui influenciada a fazer uma lipo. Eles falavam tanto que a minha aparência nunca estava boa, que eu acabei entrando na onda e me achando insuficiente para a carreira de modelo. Cheguei ao ponto de me sentir agradecida por eles me aceitarem no portfólio da agência.

Com a dificuldade em encontrar trabalhos era ainda mais fácil ser influenciada, pois eu acreditava que se fizesse o que falavam eu iria conseguir mais trabalhos. Então, eu que tinha um cabelão lindo e sem defeitos, fui “convidada a fazer algumas luzes num salão que tinha convênio com a agência, onde eu pagaria “apenas” 30% do valor. E lá fui eu! Fiz as luzes conforme queriam, tratamentos e mais tratamentos e ao final daquilo, os 30% não cabiam no meu orçamento. Além disso, não gostei do resultado, principalmente porque não era o que eu queria. Fui embora dali chorando e mesmo assim, não consegui trabalho.

A reflexão aqui é que as vezes a gente, na imaturidade e inocência, não consegue filtrar o que é preciso e acaba se submetendo a situações totalmente degradantes.

Glamour

Como eu era uma modelo com corpo de curvas, diferentemente das modelos fashions da época, eu fazia muitas fotos para catálogos de lingerie, moda praia e fitness. Foram vários trabalhos na região de Nova Friburgo-RJ, que é um polo de moda íntima. Eu saia de Santos, ia até São Paulo e viajava a madrugada inteira de ônibus para chegar até lá.

Em um desses trabalhos, eu fui para fazer um ensaio, com uma diária e cachê para oito horas. Foi um trabalho extenuante, que excedeu as horas contratadas, não era bem tratada, quase não tinha o que comer e nem água me ofereciam. Me senti um cabide e explorada.

Sei que muitas vezes o trabalho de modelo é visto como glamuroso e privilegiado, mas trouxe essa minha experiência para mostrar que nem sempre é assim. Pode ter muita invasão, pode ser muito tóxico e pode fazer muito mal!

Estes foram os principais perrengues da minha carreira de modelo. Portanto, se você conhece alguém que precisa saber desses perrengues, compartilha o vídeo e este post. Comente também o que você achou disso tudo e se já passou por algo parecido.

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Ju