UMA PARTE DO MEU PASSADO QUE NUNCA CONTEI

10/02

De tempos em tempos sinto necessidade de usar esse espaço para falar sobre assuntos delicados, mas necessários. Neste vídeo eu fiz um desabafo, sobre uma parte do meu passado que nunca contei, um capítulo da minha história que jamais tive coragem de abrir pra valer, mas chegou a hora. Espero que essa mensagem te ajude a despertar também.

Hoje com a cabeça mais amadurecida eu consigo perceber que desde criança eu convivo com alguns padrões tóxicos, alguns que eu consigo saber das influências e outros não. Eu era muito descontente com meu corpo, desde achar as pernas grossas demais até a ter vergonha da minha barriga.

Mesmo sendo uma criança com peso e forma padrão, eu não me sentia bem com o que eu via. Hoje eu acredito que tenha passado um bom tempo com o transtorno dismórfico corporal, um transtorno de imagem em que não nos vemos como realmente somos.

Contudo, eu sempre quis ser modelo e garota propaganda e me encaminhei para isso e a vida me deu as oportunidades.

Fome + vontade de comer

Na primeira agência que me aceitou, apesar de estar fora do padrão, eu logo comecei a lidar com as regras e exigências quanto à minha aparência. Não podia ter a pele bronzeada, apesar de ter crescido na praia e adorar sol, o cabelo não estava bom, o corpo então… até que recebi uma indicação de lipo, porque segundo eles, eu tinha um segundo glúteo. Isso se referia a um acúmulo de gordura comum que algumas mulheres têm embaixo do glúteo.

Eu lembro que a agência nos avaliava semanalmente, para controlar nossa aparência e se precisávamos de alguma intervenção para “melhorar”. Na inocência, eu acreditava que aquilo era o caminho para o sucesso.

Essa indicação instigou ainda mais a minha insatisfação com o corpo e eu comecei a procurar coisas para fazer com que meu corpo ficasse “melhor. Na época a moda era a mini-lipo, procedimento com anestesia local para retirada de gordura de pequenas áreas.

Então, fui em vários cirurgiões, procurava formas de afinar o nariz, o rosto e a mini-lipo… e fiz.

Eu só tinha 18 anos.

Naquele momento, por estar totalmente fora do equilíbrio, idealizava aquilo como a solução da minha vida. Gastei todas as economias e coloquei a minha vida em risco por algo que não fez a menor diferença. E aquilo foi virando uma bola de neve de insatisfações.

Nariz e bochechas eu fui deixando de lado, usando maquiagens de contorno para afinar. Mas pensei em fazer vários outros procedimentos, como colocar prótese de silicone, porque ao emagrecer para trabalhar como modelo eu emagreci e a flacidez veio. Agora eu sou mãe de dois e mesmo assim não quero intervir no meu corpo.

Outra coisa que eu fiz foi tomar medicação tarja preta para emagrecer rápido. Eu era modelo e tinha uma campanha internacional para um catálogo, mas para eu fazê-la, precisava emagrecer rápido. Então, consegui a receita com um conhecido médico e tomei aquela medicação. Lembro que eu emagreci muito e rápido, mas me sentia super mal.

Porque tem uma parte do meu passado que nunca contei?

Foram coisas que eu fiz e não me orgulho e senti de compartilhar com você depois de ver uma mulher linda ter sua vida interrompida por conta dessa busca por um padrão de beleza por meio de um procedimento cirúrgico.

Hoje, quando você abrir o Instagram repare na quantidade de filtros para mudar a sua aparência! Tudo isso nos distância do nosso normal e da nossa beleza única. Tudo bem fazer pequenos ajustes para se sentir melhor com a aparência. Mas não se esconder atrás disso e alimentar a insatisfação olhando só o que incomoda.

O importante é estar saudável e priorizar o que realmente importa. É necessário mudar de perspectiva e se aceitar do jeito que é, não importa a forma e o tamanho.

Muitas vezes já perguntaram se fiz cirurgia e eu sempre neguei. Essa é uma parte do meu passado que nunca contei, sabe por quê? Primeiro, porque eu mesma não aceitei. Segundo, poque eu achava que seria um péssimo exemplo. E terceiro, vergonha.

Cada um tem seu caminho e eu espero que o fato de eu compartilhar essa minha experiência lhe sirva como um exemplo do quanto a cabeça doente pode colocar a saúde e a vida em risco. Se você ainda está no meio dessa névoa de olhar só para o que está ruim e te colocar para baixo, isso possa te trazer uma nova perspectiva.

Compartilhe comigo como você se sente e vamos em frente, passo a passo nesse processo de despertar.

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Beijos,

Ju