Você está realmente presente nos momentos?

16/05

por Kalina Juzwiak

Pense numa criança que gostava de comer verduras e estudar sobre os mais variados assuntos – mesmo quando não obrigada pela escola. Sim, esta era eu! Talvez chamada de nerd por alguns. Outros já encontravam nisto um pretexto para brincar que até a minha água tinha fibras e meu dia quarenta e oito horas. “Como você faz isso?” – era sempre a pergunta. E ainda é hoje. Não tão diferente da minha infância, hoje tenho uma rotina super dinâmica. Em uma semana tenho cruzado cidades, lares e paredes, usando sempre minha arte e criatividade como ferramenta. Estar em muitos lugares ao mesmo tempo e ainda assim manter uma rotina ativa de exercícios, alimentação saudável e entregar os projetos nos prazos? Qual é o segredo? Antes de discorrer sobre qualquer detalhe – vou ser bem transparente e dizer que não existe uma fórmula secreta. Mas calma, não se desanime – o processo começa com você olhar para dentro de sí. Sim, o auto conhecimento é o primeiro passo. Apesar de ser consciente de muitas coisas – como já era na infância – comecei há alguns anos atrás este processo de forma mais intensa para entender o que me move, o que desejo, o que me traz paz e o que me incomoda? Perguntas assim começaram a nortear um movimento mais equilibrado de tudo aquilo que me interessa – ou me faz bem. Hoje sei que tudo que ingerimos tem um retorno direto no nosso bem-estar e na nossa produtividade. Sejam alimentos, pessoas ou ambientes. Somos seres quase esponjas que absorvemos tudo e a todos. E isto tem um impacto – positivo ou negativo – que depende apenas de você.

Viver uma vida equilibrada não é um destino e sim um processo constante de treino para integrar a mente e o corpo. Na minha infância fazia isto quase que de forma inconsciente, hoje aplico a disciplina e a perseverança para fazer isto acontecer de forma alinhada com meus objetivos. Nós temos o poder de nos conhecermos, de nos aprimorarmos nas nossas habilidades e de mudar a forma que experienciamos a nossa jornada. Infelizmente com a velocidade do nosso entorno estamos cada vez mais desconectados de nós mesmos, com listas de tarefas sem fim, obrigações, responsabilidades e pressões do mundo externo – que acabam refletindo no nosso interno também. Sim, eu também vivo essa realidade – mas a questão que gostaria de levantar é – qual a sua resposta para este momento insano que estamos vivendo? A resposta para você mesmo – e para as suas atitudes e reações no dia a dia?

“Estar presente” é uma das respostas que eu encontrei. Para mim estar presente é estar consciente: do corpo, da mente e do ambiente. Estar presente é fazer uma pausa. É o aqui e o agora – independente de influências externas. É um olhar para dentro – em todos os momentos – mesmo ao interagir com outros. É uma observação constante. É o foco. É a produtividade. É a atenção plena aos nossos atos, à forma que agimos (ou reagimos), vivemos e nos relacionamos. Estar presente no instante, de forma plena. Clichê? Para alguns pode soar como tal. Mas posso dizer que para mim é muito mais do que uma história que posso contar para mim mesma (ou para os outros). E sim realmente uma escolha de uma atitude perante a vida.

E qual o reflexo disso na vida? Lembra a história do dia ter quarenta e oito horas na minha infância? Hoje brinco que um mês do calendário, na verdade acontece em uma semana minha. Estou presente em todos os instantes – seja onde eu estiver. A minha rotina é extremamente dinâmica – em uma semana cruzo cidades, paredes, lares e projetos – e ainda assim mantenho uma alimentação saudável, o exercício como parte de todos os dias, tempo para relaxar, estudar e produzir. Estou focada naquilo que me movimenta, que me alimenta, que me leva para os meus objetivos. Cada instante se torna uma extensão de mim. Existe espaço constante para a flexibilidade, para o improviso, para a intuição. Aprendi que o perfeccionismo nestas horas vem na permissão de sentir, se conectar e deixar fluir. A todos os momentos tenho uma chance de ser criativa e de me reinventar naquele instante.

Isto acontece da noite para o dia? Infelizmente (ou felizmente) não. É um processo gradual, constante e que exige vontade, esforço e perseverança. É uma prática! E hoje, passo por aqui para compartilhar algumas destas aplicações do meu cotidiano, para alcançar esta presença e este foco que é necessário em todos os momentos do meu estilo de vida. Não tenho a resposta para tudo – muito longe disso – mas acho que ao compartilharmos as nossas experiências podemos inspirar, aprender e somar com outros. E por isso também te pergunto: Qual a sua prática para estar mais presente nos momentos? Para encontrar o seu foco pleno em qualquer instante?

1: PARE E ESCUTE

a você mesmo. Em qualquer atividade do seu cotidiano, aprenda a ouvir o seu corpo. Preste atenção na sua respiração, nas sensações que correm no seu corpo. Como está o seu estômago, como está o pulsar do seu coração. Sinta as sensações no seu corpo – palpitações, incômodos, sensações de bem-estar, tensões, sua postura. Converse com as pessoas, vivencie as situações – e escute o seu corpo. Não tente modificar as suas sensações e sim apenas tomar nota da reação corporal daquela situação. É um exercício, que te leva, aos poucos, a saber o que te deixa tranquilo, o que te agita, o que incomoda ou o que faz seu coração palpitar com amor e animação. É um processo de intimidade com você mesmo. Pare, escute e siga sua intuição. A maior parte das respostas – para tudo – estão dentro de nós.

2: CRIE GATILHOS

positivos e que funcionam para você. Ai entra ali o nr 01 antes de qualquer coisa. Se escute, se conheça e vá programando alavancas para potencializar os seus estados – seja de bem-estar, de foco, de ânimo. Você escolhe. No meu caso por exemplo. Criei uma playlist no spotify que dedico aos meus momentos de foco. São músicas que aprendi que me acalmam, me movimentam e ao mesmo tempo me dão o foco necessário para executar uma atividade sem distrações do externo. Por algum tempo, toda vez que eu me propunha a fazer uma atividade que exigia minha atenção plena, naquele momento, colocava o fone e dava o play. Fui exercitando esta prática, com determinação e repetição. Hoje, se tornou um gatilho quase que instantâneo. Brinco com as pessoas mais próximas – vou entrar no meu estado de foco: coloco o fone, sento em frente ao computador – ou seja lá a atividade que estou me propondo a fazer – dou o play, e ali, em questões de segundos entro em um estado de concentração. Neste momento, que coloco o fone, deixo o celular em outro lugar, não me conecto a nenhuma rede ou meio de comunicação. Estou exercitando isto diariamente, e hoje consigo entrar em um estado que quase que anulo tudo que está acontecendo a minha volta, que você terá que me chamar com certo esforço para me tirar dali. Esta prática tem me ajudado muito nas minhas andanças, permitindo que eu me concentre, em qualquer lugar, e a qualquer hora, na atividade que preciso executar. A música é um dos grandes elementos que podemos usar a nosso favor desta forma – um grande motivador. Não apenas no meu caso, mas em geral – afinal quem não sente seu corpo e mente moverem com algum estilo de música? Encontre os seus reais motivadores – eles vão de ajudar no seu movimento.

3: PRATIQUE

muito e de verdade! Desenvolver e executar depende apenas de você. Sim, no processo vão sempre existir atividades que você gosta e outros nem tanto. Ai depende apenas como você as encara. Lembra do sentir, do estar, do desenvolver as atividades naquele instante? Esteja presente, e foque no seu desenvolvimento, masterizando as suas habilidades, ganhando autonomia, criatividade, impacto e reconhecimento. Seja específico, escolha uma hora e um lugar para executar uma atividade. Onde vai fazer tal tarefa? A que horas? Até quando e qual a necessidade de repetição deste processo? Esteja consciente – anote se for preciso – cada passo do seu processo e revise os acontecimentos diariamente, semanalmente e mensalmente. O que está me distraindo? O que mudou? O que continua igual? Quais as minhas dificuldades? O que ainda está me segurando? As perguntas são inúmeras e fazem parte de um processo iterativo (volte sempre para o início: pare, escute, crie gatilhos para quebrar padrões, ou criar novos, e se observe sempre). Passe a amar o seu problema e você amará os processos. Construa rituais, observe suas resistências, revele a sua força interior, se rebele contra as estruturas pré estabelecidas, experimente diferentes métodos, desenvolve foco, força de vontade e resiliência. O processo pode ser e é transformador.

4: CRIE O SEU MOVIMENTO

e não pare! Comece pequeno para que não se sinta sobrecarregado. Para que não se desmotive. Comece executando e mudando as pequenas coisas no seu dia a dia. A forma que começa o seu dia é uma das mais importantes, pois pode gerar a motivação e movimento para o restante do dia. Como você acorda? Qual a primeira coisa que faz? Comece pequeno, mas com passos largos o suficientes para que sinta um esforço e possa então celebrar uma conquista. Construa os seus próprios sistemas. Somos humanos movidos à base de gatilhos e motivadores, castigos e recompensas. Incentive a você mesmo através de recompensas de significado e desencoraje os seus comportamentos indesejados através de consequências ou castigos. O que funciona melhor para você? Ao entender as motivações do cérebro para executar hábitos em modo automático, é possível doutriná-lo para que busque novas recompensas. Isso vai auxiliá-lo a criar novas deixas e redefinir rotinas. Aos poucos vá elevando o nível e se desafiando. O céu e o limite.

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