Como sair do vitimismo com Leticia Taveira

03/06

Quer saber como sair do vitimismo?

O ciclo do vitimismo pode parecer mais forte que nós. Acabamos culpando sempre o outro e nos colocando no lugar de vítima indefesa e assim vamos perdendo as rédeas da nossa própria vida. 

Bora mudar isso? Espero que esse episódio te ajude a despertar mais sobre o tema. Compartilhe com mais pessoas

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Como sair do vitimismo

Para falarmos sobre como sair do vitimismo, eu convidei a terapeuta Leticia Taveira, que já me ajudou muito!

Ciclo do vitimismo e a culpa: qual a relação

É importante entendermos que o ciclo do vitimismo é um comportamento que nos é ensinado desde muitas gerações. 

E o que é o vitimismo? Acreditar que eu sou vítima de algo, vítima de alguém, da sociedade. E assim, a gente passa a buscar sempre a culpa. Nós aprendemos que a culpa é o que ensina. 

Às vezes nós temos o modo de “olho por olho, dente por dente”, porque aprendemos isso. É comum escutar “A pessoa fez isso com você e você não vai fazer nada?”. Assim, inconscientemente, nós entendemos que a culpa é para aprender, e por isso, queremos culpar o outro e nós mesmos. 

Mas é importante pensarmos que se a culpa servisse para ensinar, ela deixaria de existir. Porque se eu contrato um professor de inglês e aprendo a falar fluentemente, eu não preciso mais das aulas.

Na prática, não funciona assim. Quantas vezes você já brigou com alguém por chegar atrasado e essa pessoa de fato parou de chegar atrasada?

A culpa fica voltando, e voltando e voltando. E o seu ser quer aprender, então ele te coloca constantemente nesse ciclo de vitimismo. 

Fazer a pessoa se sentir culpada não faz com que ela gere um aprendizado, e nem com nós mesmos. 

Eu, Juliana, mãe de dois filhos, enfrento muita culpa. Tem culpas menores, culpas maiores, mas toda culpa dói. E eu consigo ver que esses momentos não me trouxeram uma melhora, e sim, me deixaram mais insegura e questionando meu maternar. Ou seja, a culpa não está gerando um benefício. 

Nós sabemos que a culpa está ali porque tem algo que sustenta ela, para garantir o lugar dela! Quando você para e busca entender o que essa culpa quer te ensinar, você começa a ver resultados.

Por exemplo: essa culpa quer me ensinar que eu preciso me organizar melhor para sair mais cedo, que eu preciso organizar a minha agenda e que preciso marcar menos compromissos, e assim por diante. 

Nesse momento, vem o arrependimento, que é um sentimento momentâneo (não contínuo como a culpa). 

O ideal é: eu entrego o arrependimento e integro o aprendizado.  

Quando nos integramos ao aprendizado, nós largamos mão da culpa. Consequentemente de fazer o outro se sentir culpado também, e melhoramos qualquer relacionamento. Assim, largamos mão de buscar um culpado. E se não tem um culpado? Não tem vítima! 

E assim começamos a quebrar o ciclo do vitimismo, e descobrir como sair do vitimismo. 

Por que melhoramos e depois voltamos a esse comportamento?

Algumas chaves vão virando e luzes acendendo, mas é importante praticar. Alguns comportamentos se agravam em momentos específicos das nossas vidas, e vai e volta. 

Pode ser que a gente consiga melhorar determinado comportamento, mas depois de um tempo ele volte muito forte. E por que isso acontece?

A Letícia explicou que são diversos motivos, até mesmo a sua alimentação. Comer só doce ou passar o dia todo vendo notícias ruins no jornal te conectam a frequências mais negativas. 

Vamos pensar no processo de aprendizado do violão. 

A primeira vez que você toca, faz um som estranho, mas como será sua primeira experiência pode parecer algo muito legal. Com o tempo, você vai ter a percepção do som, e vai perceber que precisa melhorar e afinar. E assim, treinar, treinar e treinar. 

A partir disso, vai ter dias que você vai treinar estando mais presente e verá melhores resultados, e vai ter dias que você vai estar com tantas questões que vai esquecer de detalhes importantes. 

Assim também funciona com nossos comportamentos.  

Tríade: vítima, abusador e salvador

Toda vítima precisa de um abusador (mental, físico, emocional), e busca por um salvador. 

Todo abusador precisa de uma vítima e de um salvador.

E todo salvador precisa de uma vítima e de um abusador. 

Quando estamos presos nessa tríade, nós estamos triangulando entre esses três papéis. Por exemplo, todo terapeuta acha que vai salvar o mundo em algum momento da sua jornada. Para isso, é preciso que ele acredite que tem uma vítima e um abusador, e preciso da presença deles. 

Porém, se você acredita e está tríade, com o seu cliente você pode exercer o seu papel de salvador, mas onde você está exercendo seu papel de vítima e abusador? 

E como sair da tríade?

Você sai da tríade quando você percebe que não existe culpado naquela situação. 

Por exemplo: determinada pessoa está com o papel de abusadora, mas eu não vou aceitar o papel de vítima. E a partir daí você decide tomar responsabilidade.

Como despertar para o fim do ciclo do vitimismo?

É muito comum que a gente esteja em uma situação de tríade sem nem ao menos perceber. Como perceber e sair dessas amarras que nos impedem de viver uma vida plena de satisfação?

O primeiro passo é trazer consciência para isso. Só de ouvir o podcast Reencontro você já está no caminho! 

Depois você começa a perceber coisas em você ou no outro: “minha mãe se faz de vitima”, “meu marido estava fazendo isso para me provocar”. 

Só de você estar consciente que está projetando isso no outro, volta para você. Isso está dentro de você. E está tudo bem, porque você foi criado e aprendeu a vida inteira dessa forma. 

A terapeuta trouxe um bom exemplo. Na infância dela, ela usou um aparelho onde ela precisava ficar mordendo os dentes muitas horas ao dia. E seguiu com isso por muitos e muitos anos. Ao ir a uma consulta por conta de uma dor na cervical, ela descobriu que ela não podia fazer isso mais.  

Foram mais de trinta anos mordendo os dentes, então quando ela está muito nervosa, ela ainda se pega fazendo esse hábito. 

O importante é não se culpar por não ter conseguido sair da culpa. 

Eu compartilhei um exemplo meu com a Liliu. Ela derrubou um objeto no meu pé que doeu demais. No primeiro momento, eu briguei com ela dizendo que ela precisava ter mais atenção, pois aquilo tinha me machucado. Em seguida, veio a culpa por eu estar causando a culpa nela.

Conversei com ela, pedi desculpas pela maneira que eu falei, e disse que isso poderia ter acontecido com qualquer um. Eu poderia ter, sem querer também, derrubado o objeto no pé dela. 

O que eu faço é quando eu me pego no pulo, como nesse caso acima, eu paro, respiro e escuto meu coração. Como poderia acontecer isso que está acontecendo agora?

É buscar melhorar 1% por dia, pouco a pouco. E se tiver um retrocesso, é como você está naquele momento. 

Se você está sendo responsável pelo que você está criando é ótimo, porque você consegue mudar a sua realidade. Se você está colocando a responsabilidade e a culpa sobre outras pessoas, você vai depender dos outros a vida inteira. Será que vale a pena?

Como eu posso melhorar nisso? Como eu posso me ajudar?

Tenha compaixão pelo próximo

Durante esse despertar é possível que você veja que as pessoas estão culpando umas às outras o tempo todo. E é importante ter compaixão nesse momento.

Normalmente quem culpa o outro é porque já não aguenta mais as próprias culpas para não dizer sempre. 

Por exemplo, existem pessoas que se sentem culpadas por terem nascido, por não terem sido desejadas. Imagina sentir esse peso? Por não aguentar mais essa culpa (e tantas outras), a pessoa passa a jogar para o próximo. 

Uma frase mudou muito a vida da Letícia: não veja intenção por trás do erro dos outros. 

A nossa tendência é ver intenção por trás do erro dos outros. Como quando eu briguei com a Liliu como se ela tivesse culpa por não ter prestado atenção e deixado o objeto cair. Ela não deixou cair de propósito.

Tem uma historinha que exemplifica essa história. 

A filha e a mãe estavam lavando louça, e o filho e o pai assistindo televisão na sala. 

Eles ouviram o barulho de alguma coisa quebrando na cozinha, e o menino, mesmo sem ter visto a cena disse “foi a mamãe”. 

O pai questiona como o menino sabe, e ele responde “porque depois de quebrar, veio o silencio”.

Essa história mostra que, se fosse a menina que tivesse quebrado, a mãe teria brigado com ela.

E quantas vezes eu não fiz isso? Dei bronca porque meus filhos caíram e se machucaram. Eles queriam cair e se machucar? Claro que não, eles precisam apenas de um acolhimento. 

Mas essas ações são replicadas, porque ninguém ensina a ser diferente. Hoje está sendo mais comum as mães perceberem isso.

Como sair do vitimismo: processo de perceber

Esse processo de perceber é muito importante. Às vezes você percebe 10 anos depois do que aconteceu, na próxima você percebe 5 anos depois, da próxima 1 semana, um dia, até chegar no momento de perceber antes de fazer. 

A partir disso, você sai da tríade. Também percebe que não precisa salvar ninguém, pois você começa a enxergar potência no outro. Enxergar que o outro não precisa ser salvo te permite ser você.

Ser você não é salvar o outro. Nem mesmo culpar o outro. Muito menos abusar do outro. 

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E te vejo no próximo!

Veja os episódios anteriores: É o fim do meu relacionamento? e Aprendendo a dizer não

Beijos, 
Ju