Minha carreira de modelo #2 | Perrengues na Turquia

13/04

Vocês pediram e hoje tem o capítulo #2 dos meus perrengues na carreira de modelo! Nesse vídeo eu compartilho um momento sério que vivi na Turquia, a forma como fui tratada pela agência e os aprendizados que ficaram!

O perrengue que abro para vocês hoje foi, certamente, um dos maiores desafios da minha vida. Longe de casa e de tudo que era conhecido, eu buscava por um glamour ilusório, algo para preencher determinados vazios e carências que eu tinha. Quem já me acompanha a mais tempo aqui sabe o quanto eu trabalhei essas feridas para me abrir aqui com vocês e conseguir trazer minhas experiências da forma mais transparente e leve possível.

Carreira internacional

Meu grande sonho era ter uma carreira de modelo internacional, juntar duas coisas que eu amava: viajar, conhecer lugares e fazer as campanhas, as fotos e comerciais. Na época eu fazia faculdade em Santos e morava em São Paulo, na intenção de terminar a faculdade e ir morar fora.

Em seguida, eu me formei e consegui uma oportunidade de ir para fora. Minha primeira tentativa foi na Itália, onde logo de cara recebi três nãos. Afinal, para trabalhar na Itália era necessário ter um perfil mais fashion e esguia, bem diferente da menina cheia de curvas que eu era. Foi frustrante, mas eu já tinha contrato assinado para passar três meses em Istambul, na Turquia, onde meu perfil se encaixava.

Fui morar em um apartamento da agência, com outras nove meninas e com alguma dificuldade eu consegui alguns trabalhos nas mesmas áreas que fazia no Brasil, fitness e lingerie. Logo depois de uma semana, eu ainda estava me ambientando e a temperatura era muito alta, chegava a 45°C facilmente, então comecei a ter muita dor de cabeça, sintomas de enxaqueca, até ter febre. Nesse ponto eu dei um jeito de ligar para minha mãe, que me contou que havia feito um seguro saúde para mim quando percebeu que a agência não dava essa garantia.

No hospital

Minha mãe acionou o seguro e eu consegui encaixar a ida ao hospital naquela rotina. Enquanto isso, a agência não dava a mínima. Ao chegar no hospital, preenchi toda a papelada e entrei no elevador para ir até o andar de atendimento, no elevador eu desmaiei. Fiquei desacordada por um tempo e quando acordei me avisaram que eu ficaria no hospital até os resultados dos exames ficarem prontos.

Acontece que ninguém encontrava o que eu tinha e enquanto isso eu passava dias no hospital, com dificuldades para me comunicar com os profissionais, pois eles na época não falavam muito inglês. Até que minha, no desespero, fez contato com a embaixada do Brasil para ver se alguém poderia me ajudar. Assim, um diplomata apareceu no hospital.

Detalhe que poderia ficar até três meses lá, mas não poderia trabalhar. Então, eu estava morando ilegalmente e não pude falar a verdade para o diplomata.

Mas a equipe do hospital seguiu na investigação e eu tive que fazer um exame do líquor, que é o líquido da medula espinhal. O resultado: meningite viral! Provavelmente, contraído durante as viagens entre Brasil, Itália e Istambul. Logo, eu me desesperei, sem saber se o seguro saúde iria cobrir a conta, sem segurança com a família longe… foi terrível!

Por fim, eu aprendi um pouco de turco para conseguir me comunicar com eles. Foram todos muito carinhosos e atenciosos comigo, mais uma vez, os anjos que aparecem em nossas vidas e pelos quais eu sou extremamente grata.

Em suma, fiquei nove dias internada com vários pequenos perrengues que aqui eu abrevio, depois mais sete dias em observação. A partir do momento em que eu saí do hospital, a agência queria que eu voltasse a trabalhar, alegando que estavam perdendo dinheiro com o tempo em que eu estava no hospital e eu tinha uma dívida para pagar.

Fim da carreira de modelo

Eu questionei muita coisa. Naquele momento eu decidi que não queria mais passar por aquilo. Com muita gratidão por ter cursado uma faculdade, pois na época eu já era jornalista, eu decidi retornar para junto das pessoas que me tratavam como ser humano e foi o que fiz. A minha mãe teve que arcar com a minha passagem de volta para o Brasil, pois a agência alegava que eu devia a eles e virou as costas.

Eu já tinha mais dois contratos com a mesma agência, um para morar na Coréia do Sul e outro na China e eram contratos melhores. Mas eu resolvi encerrar tudo e voltar para o Brasil e deu tudo certo com a cobertura do seguro que cobriu todo o custo do hospital. Depois de tanta desilusão, de me sentir como um produto, um objeto, quando nem como jornalista minha vida profissional estava dando certo, eu me inscrevi no Big Brother. Mas essa já é outra história que vocês podem conferir nos links abaixo.

Enfim, essa foi mais uma experiência na minha carreira de modelo mostrando a realidade que muitas vezes exibe uma fachada de muito glamour e privilégios. Espero que tenham gostado.

Aqui estão outros posts que você pode gostar:

BBB | Respondendo sobre a minha experiência no Big Brother Brasil

Como assim ex-BBB?

Beijos,

Ju